APS-C X FULL FRAME | “O QUE TEM DE SER FULL FRAME É O CÉREBRO E NÃO A CAMERA!”

Bom dia, Amigos da EFO!!!

Hoje o estilo de”avião” vai ser outro porque Vocês estão acostumados a me ver fotografar outras “máquinas” de pele macia!  Porém, neste caso, ambas me (nos) levam à nuvens!!! 😉

… imagina o seguinte … em 2004 eu comprei uma 20D que era “a camera dos PRO” e fiz campanhas grandes com muita responsabilidade tipo Natura, Tissot e outras … hoje eu vejo gente que sofre com a falta de técnica e coloca a culpa na camera que tem ISO “só” 3.200 quando no tempo do analógico o máximo disponível era ISO 400 e a gente fazia tudo sem problema nenhum.

Eu escrevi este artigo porque tem muita gente que não precisa gastar nada tendo uma camera que tenha mais do que os 8,2 mpx disponíveis na 20D.

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EXIF: ISO 100 | FStop: 8.0 | Shutter: 1/8s | Exposure comp: -0,7

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EXIF: ISO 100 | FStop: 8.0 | Shutter: 1/8s | Exposure comp: -0,7

Aqui há uma história interessante a ser contada:

Logo que cheguei a Portugal, isso há 8 anos atrás, trouxe comigo a minha Camera 20D com uma lente 100-300mm | 4.5-5.6 | USM que usei em trabalhos grandes no Brasil onde o controle da divisão dos planos era a parte mais importante no briefing do Cliente.

Exemplos:

Natura https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151342794166352&set=a.10151342793816352.527326.595591351&type=3&theater
Natura https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151342794131352&set=a.10151342793816352.527326.595591351&type=3&theater

Eu sempre digo, e vou continuar a dizer, que isso acontece por saber usar a “faixa ótima” das minhas lentes e extrair delas todo o potencial ao invés de acreditar que devo gastar muito mais do que é preciso para obter os mesmos resultados das mais caras porque, afinal, eu vivo da Fotografia e conheço o meu equipamento!!!!

No caso desta foto de hoje, eu fui contratado para fazer parte do time oficial dos Fotógrafos Oficiais credenciados e tinha que aproveitar a oportunidade para criar portfolio na Europa em novas áreas de negócio. A minha credencial era “PRESS” (Free Pass) e no dia lá fui eu para o VIP SPACE onde estavam os colegas mais “feras” com suas lentes gigantes apoiadas em monopés enquanto eu vinha com a minha 20D e uma lentezinha no meio deles … alguns olhavam para mim com um ar de “WTF??!”.

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Muitos já tinham bebido vários Red Bull com Whisky (do bom!!!), um sol de rachar na cabeça … começa a corrida de aviões e logo ali reparei que aquilo era uma “fábrica de salsichas fotográficas” porque estavam todos sentadinhos ao lado do outro e quando o avião passava todas as lentes faziam um ballet coordenado e todas as fotos sairiam praticamente iguais, com o mesmo fundo, etc … e para piorar, a manobra de entrada do piloto na frente do pit dos fotógrafos era com o dorso do avião e isso não era bom para divulgação do evento (BINGO!!!).

Foi ai que lembrei da estória de David e Golias e da filosofia do “No Education” do Pink Floyd (vale a pena ver esse video clip que é um show de direção de fotografia: https://www.youtube.com/watch?v=kAGkuPaatdc) e resolver sair de lá para encontrar o meu enquadramento e a minha forma de expressão.

Lembrei que do outro lado do rio Douro eu tinha um Cliente novo (Simbiose) na área de fotos de gastronomia e que lá havia um sotão onde eu poderia fazer um trabalho diametralmente oposto com as enormes vantagens de ter o cockpit na foto com a área VIP do Red Bull Air Race ao fundo!!! (e ainda estar com o meu Cliente tomando um vinho português maravilhoso!!).

Nesse tipo de fotografia, o primeiro raciocínio é “É tudo muito rápido, então vou colocar a velocidade de obturação lááááááá nas nuvens e assim consigo resolver o problema de arrastamento do avião!!! E o pior é que a grande maioria dos “professores” ensinam assim … mas o movimento de rotação da hélice é muiiiiiiiiiiiito importante para que o realismo, a ação e o movimento estejam presentes na mensagem, caso contrário, não tem valor nenhum e eu não conseguiria estar no site oficial da Red Bull e no ano seguinte perderia o crachá de PRESS (Free Pass). Muita gente nem faz idéia da importância em conseguir criar tecnicamente a combinação ideal de velocidade x abertura (no ponto ótimo sempre) x panning horizontal sem movimento redundante (= variação vertical durante o panning horizontal) … isso tudo sem errar a pontaria e ainda tendo que fazer uma composição minimamente encaixada na lei dos terços e os seus pontos fortes.

Reparem que o White Balance aqui tem duas situações principais:

1) Daylight na área VIP onde estão todas aquelas pessoas.
2) Shadow na parte inferior onde estáo paredão (que tem valores Kelvin mais altos (entre 6.500 a 7.000K) puxando os tons neutros do concreto para “azulados”.

Optei por Daylight e assim usava essa distorção das sombras como fundo para os vermelhos e na minha opinião isso aumentou o contraste geral das cores.

No dia seguinte, recebi um email da Central de Imprensa com um aviso de que a minha foto estava entre as escolhidas e depois vim a saber que alguns pilotos elogiaram a nitidez em contraponto com a velocidade e que no evento seguinte estaria entre os que teriam livre acesso novamente.

Vou colocar aqui algumas das outras fotos que foram aprovadas pela RED BULL feitas com a lente 18-55mm do kit (e ainda nem tinha estabilizador):

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Ninguém me perguntou que camera eu tinha usado!!!
Ou seja, “O que importa é ter o cérebro full frame e não a camera!”

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Obrigado e até a próxima!!! É NÓIS!!! 🙂

Fernando Bagnola (by Max Moor)Fernando Bagnola, nascido em São Paulo, fotógrafo profissional desde 1984 atua nas áreas de moda e publicidade, vive em Portugal há 7 anos e desenvolve formações de Técnica Fotográfica e Edição no Photoshop através de workshops e cursos ao vivo por vídeo-conferência tendo alunos formados no Japão, Inglaterra, Brasil e Portugal.

  portfolio: www.fernandobagnola.com                                                         workshops:  http://workshop.fernandobagnola.com