TUTORIAL 3: FOTOGRAFIA DE MODA E A LUZ MASCULINA

Olá, Amigos da EFO!!!

            Hoje vamos continuar a conversa que iniciamos no tutorial anterior onde o assunto foi “A Luz Feminina” e a forma de raciocinar na configuração da camera (+ 0,7 no fstop, lembram?) e da distribuição das potências nas  luzes utilizadas, independentemente de serem cabeças de estúdio ou flashes portáteis com triggers.

            Enquanto na Luz Feminina as sombras mais densas são uma “preocupação” e a idéia é sempre mantê-las preenchidas (Fill Light) tendo em conta EVs muito próximos da luz principal (Key Light) , na Luz Masculina o raciocínio é o oposto, ou seja, as sombras densas são uma “necessidade” e devemos deixar uma diferença maior entre os EVs na comparação entre Luz Principal (Key Light) e Luz de Enchimento (Fill Light).

Exemplos:

luz masculina(Fotos: Fernando Bagnola)

Outra coisa muito importante é o “Ângulo de Ataque das Luz Principal” que deve estar na área dos 45 graus à direita ou esquerda (áreas vermelhas do gráfico abaixo) o que cria zonas de contraste muito mais acentuado que deve ser preenchido (Fill Light) com uma segunda luz em potência sempre menor do que a ½ da Principal (Key Light) ou por um rebatedor (refletor).

 luz masculina grafico

Seguem 3 exemplos e assim vocês conseguirão ver na prática como isso funciona da mesma maneira em estúdio e em exterior:

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(modelo: Jorge Santos/Make up/Hair: Inês Mocho/Fotografia: Fernando Bagnola)

Reparem que as duas fotos tem exatamente a mesma configuração de iluminação, inclusive na direção das fontes de luz:

1)    Luz Principal (Key Light): 

  1. Na primeira, em estúdio, flash portátil +softbox vindo do direita.
  2. Nas outras duas, em exterior, sol direto (final da tarde) vindo da direita.

2)    Luz de Enchimento das sombras (Fill Light):

  1. Na primeira, em estúdio, softbox vindo da esquerda com ¼ da potência da Luz Principal (Key Light).
    Na parte de baixo (pernas) usei um snoot com flash portátil apontado diretamente para o chão branco do estúdio e assim criava um fill light totalmente sob controle pela escolha da potência até chegar ao mesmo nível da parte de cima (cintura até a cabeça). Do lado esquerdo há um refletor prateado que devolve a luz principal criando a luz de recorte na perna, braço e rosto.
  2. Na segunda e na terceira, em exterior, a luz ambiente que vinha por trás à esquerda fez o preenchimento (Fill Light).

3)    Fotometria:

  1. A técnica utilizada aqui é a baseada, principalmente, na média ponderada de 3 medições (cabeça, tronco e pernas) e dessa forma ficamos numa escala mais baixa do sistema de zonas (que normalmente vem como 5 nos fotômetros/flashmeters). Isso, à partida já favorece os tons médios (midtones evitando as zonas mais altas acima de 8 na escala do sistema) acabem por roubar detalhes nas luzes de recorte por excesso de brilho.

                                               i.      Na primeira, em estúdio, mede-se, simplesmente, conforme explicado acima dando 1 disparo com o flashmeter na parte superior, intermediária e inferior do enquadramento pretendido.

                                              ii.      No meu caso, como uso bastante a lente em 300 mm para desfocar o fundo, muitas vezes estou muito afastado do modelo e o que faço é colocar a camera em medição pontual e fazer 3 leituras como explico no item i logo acima deste.

 DICAS:

1)    Para aqueles que não tem fotómetro/flashmeter, a solução é usar o cartão cinza 18% para medir já que, da mesma forma, ele está na zona 5 do sistema de zonas. Lembrando que isso deve respeitar, sempre, a mesma condição de iluminação em que o modelo se encontrar.

2)    Quando uso a luz masculina, ao contrário do que ensinei no tutorial anterior sobre LUZ FEMININA, sempre fotografo fecho -0,7 em relação ao fstop que der pois desta forma os tons médios ficam mais presentes. Para que isso possa ser feito com precisão, é fundamental que seja em RAW pois assim conseguimos usufruir do ótimo controle no Camera Raw no que se refere às informações do arquivo.

3)    IMPORTANTE: Sempre procure pesquisar sobre qual é o “ponto ótimo” da sua lente, considerando que nem sempre menores aberturas (em numero) constituem a zona de melhor performance. Normalmente, esta zona está próxima da média ponderada dos f/stops e, neste caso, foi abertura 11 numa escala que vai do 2.8 até 22. Algumas lentes, mesmos mais caras, tem a pior performance nos f/stops mais fechados.

Espero que tenham gostado deste tutorial de técnica de iluminação e que a partir de agora sempre apliquem em fotografias de Moda, Beauty, Retratos e  books de modelos  (as agências adoram fotógrafos que trabalham assim!!!).

Aquele abraço!!!! Até breve!!! É NÓIS!!!! TAMUJUNTO!!! 🙂

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1546066_429063800556862_1901693311_nFernando Bagnola, nascido em São Paulo, fotógrafo profissional desde 1994 atua nas áreas de moda e publicidade, vive em Portugal há 7 anos e desenvolve formações de Técnica Fotográfica e Edição no Photoshop através de workshops e cursos ao vivo por vídeo-conferência tendo alunos formados no Japão, Inglaterra, Brasil e Portugal.
portfolio: www.fernandobagnola.com                        workshops: http://workshop.fernandobagnola.com 

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