TÉCNICA DE ILUMINAÇÃO PARA FOTOGRAFIA DE MODA (com esquema de luz completo)

“APRENDA A USAR O FLASH EM ESTÚDIO”
(com esquema completo de luz para strobes de estúdio ou speedlites)

Olá, Amigos da EFO!!!

Aqui vai um exemplo de iluminação muito utilizada em moda e que está baseada no triângulo Separation Light – Key Light – Fill Light mas com ratios um pouco diferentes na relação entre Luz Principal, Luz de Preenchimento e Luz de Recorte.

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(modelo: Pamela-ELITE | make up/hair: Omar Bergea | Foto: Fernando Bagnola)

Na prática, e simplificando para que todos possam entender e, melhor ainda, que possam conseguir os mesmos resultados com flashes portáteis, há um flash acima da cabeça com regulagem de potência que é o dobro em relação ao que fica na frente como Luz Principal na frente da modelo com uma sombrinha branca (refletora) que produz sombras mais marcantes dando mais tridimensionalidade.

Fechando a iluminação triangular, há outro flash com sombrinha branca (refletora) com a mesma potência do frontal, porém, com o dobro da distância que corresponde a perda de 3/4 da luz segundo a lei do Inverso do Quadrado da Distância que uso desde o tempo que fazia os meus trabalhos em fotografia analógica.

Exemplo: Se a leitura do fotômetro do flash superior que faz a luz nos cabelos estivesse em 11, valor da medição frontal deveria dar 1 f/stop a menos, (fstop 8) e o terceiro deve dar menos 1 fstop em relação ao segundo (fstop 5.6) que corresponde, exatamente, a 1/4 da potência do primeiro.

Embora veja pouca gente usando sombrinhas, posso garantir que é uma forma excelente de conseguir bom contraste na captação sem precisar recorrer aos programas de edição que atingem a toda a imagem e desta forma evito a perda de detalhes das Zonas de altas luzes (testa, ombro e lateral do corpo).

Um detalhe importante, para quem gosta de ir a fundo nas coisas, aqui também podemos ver a aplicação prática do sistema de zonas no fundo que aparece levemente acinzentado porque eu afastei a modelo do fundo branco da luz fazendo com que baixasse de zona na escala de cinzas resultando nesse soft gradient (degradê invertido) já que a zona inferior do fundo recebe mais luz refletida do chão.

Um esquema que as agências de modelo gostam muito nos composites e serve também para fotos de Beauty exatamente pelo controle preciso dos brilhos e texturas da pele e dos tons do make up.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Fiquei muito contente em ver que muita gente gostou da minha ideia de criar um novo post com o esquema de iluminação detalhado no dia seguinte à publicação de uma foto minha.

E como ontem, dois bons Amigos mandaram mensagens de alerta sobre um possível erro que havia numa das notas (post it em amarelo no esquema), resolvi criar uma resposta geral aqui porque está tudo correto e vou explicar mais uma vez para que todos possam entender como funciona a “ILUMINAÇÃO TRIANGULAR: RATIO (X) (X/2) (X/4)”:

Pamela 1

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Filipe Marinho (Portugal)
Oi Fernando,
No esquema de luzes da foto que acabei de comentar tem um erro no post it FOTOMETRIA: 3) x/4 (1/2 da 2) … em vez de 1/2 da 1. Aviso para corrigir.
Um abraço
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Celso Nakamura (Japão)
Bom dia Sensei,
No esquema de luz q você fez na foto está escrito q X/4 é ½ da 1 mas não é ¼ da 1? Abraço
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Respostas:

Olá (Celso e Filipe):

Não tem nada errado ali. 🙂

Eu já imaginava que alguns iriam pensar que eu errei mas está tudo bem afinado e agradeço pela atenção aos detalhes e, antes de tudo, pela amizade.

É a Lei do Inverso do Quadrado da Distância na prática que eu uso há 30 anos, (inclui um exemplo visual aqui), que diz assim:

“Dobrou a distância, perde 3/4 da luminância (75%)” e para quem usa o olhômetro (ainda!?), depois faz um ajuste fino de 1/3 de fstop .

Resumindo e concluindo:

2015-01-15 22.48.04

O que vale aqui é o resultado final da fotometria no ratio (X) (X/2) (X/4) sempre com uma diferença de 1fstop entre elas usando a potência da fonte ou a Lei do Inverso do Quadrado da Distância como opção se não houver espaço suficiente no estúdio e também por ser a única forma é para quem não tem fotômetro (ainda!?) poder fazer também. Para quem usa fotômetro já faz isso com precisão decimal (1/10 em relação ao 1/3 do olhômetro) na regulagem da potência diretamente sem se preocupar com mais nada.

A 2 (X/2) tem 1/2 da leitura da 1 e a 3 também, mas a 3 (X/4) com o dobro da distância da 2 que faz o mesmo efeito de ter 1/2 da potência da 2 como eu escrevi no post it.

2015-01-15 22.45.55

E não tem nada a ver com a potência regulada na fonte de luz … até porque se usarmos um modifier (acessório modificador) diferente entre elas a potência pode ser a mesma mas a fotometria vai mudar e temos que reajustar até que dê o valor de 1/2 da X1 para a 2 e 1/2 da X2 para a 3 e vem dai a importância fundamental do fotômetro nessa hora.

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Vou incorporar esta observação no final do post da EFO e agradeço, mais uma vez por terem feito a pergunta muito oportuna.

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Grande abraço Celso e Filipe e espero que tenham entendido.

É NÓIS!!! 🙂

 

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Obrigado e um grande abraço!

Fernando BagnolaFernando Bagnola, nascido em São Paulo, fotógrafo profissional desde 1984 atua nas áreas de moda e publicidade, vive em Portugal há 7 anos e desenvolve formações de Técnica Fotográfica e Edição no Photoshop através de workshops e cursos ao vivo por vídeo-conferência tendo alunos formados no Japão, Inglaterra, Brasil e Portugal.
portfolio: www.fernandobagnola.com                 workshops: http://workshop.fernandobagnola.com 

 

APRENDA A USAR O FLASH PORTÁTIL EM ESTÚDIO – ILUMINAÇÃO COMBINADA:

“APRENDA A USAR O FLASH PORTÁTIL EM ESTÚDIO”
ILUMINAÇÃO COMBINADA: LUZ NATURAL + FLASH PORTÁTIL

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Uma sessão fotográfica feita com uma equipe excelente ao meu lado que tornou possível concretizar exatamente aquilo que eu pretendia como resultado final. E não custa repetir que um bom fotógrafo de moda é aquele que sabe jogar em equipe pois sem ela nada acontece.Como tenho alguns alunos espalhados pelo mundo que fazem o curso por videoconferência, também procuro usar equipamento (supostamente) incapaz de concorrer com as full frame (não é verdade!!!). Para essas sessões eu pego na minha velha camera 20d que tem 8,2 mpx (\o/) e com isso mostro (ou provo) que o melhor investimento é aprimorar a técnica, a postura profissional, a organização e acreditar que o mais importante é saber iluminar, independentemente de ser um flash portátil chinoca, uma vela, o sol, uma super cabeça de estúdio, flash portátil, …,
Sem super cameras full frame!!!
Sem equipamentos caros de iluminação!!!
Sem complicações técnicas!!! 
E, principalmente, sair dessa verdadeira mentira técnica sobre a falta de necessidade do flashmeter/fotômetro que enxerga a distribuição da luz em 1/10 e confere precisão decimal enquanto os “olhógrafos” (com todo respeito) proclamam que isso é coisa de do passado e de fotógrafos dinossauros … Como eu!Entrando agora na parte técnica, começando pela iluminação, há um flash portátil com difusor 14 mm sendo a luz principal (key light) ligeiramente deslocado para a esquerda para criar a sombra em forma de asas de borboleta (butterfly lighting) e na região do pescoço para dar destaque à linha do maxilar inspirada na fotografia preto e branco das Divas do cinema dos anos 40 e 50.(vale a pena pesquisar!!)Um pouco abaixo da linha inferior do enquadramento há um refletor prateado que diminui a diferença dos evs deixando as sombras com mais detalhe.

A luz que ressalta o brilho nos cabelos vem de uma janela que há no teto do meu estúdio e que fica bastante intensa em determinadas horas dos dias ensolarados.

E vem dai a maior dica aqui que é dar uma brincada com o white balance da camera para conseguir tingir zonas específicas da fotografia … Calma … Eu vou explicar melhor!!!

Há um leve tom azulado no fundo e nas altas luzes do cabelo (cyan) que é uma característica da temperatura de cor quando fotografamos na sombra com a opção daylight na camera … Afinal, dentro do estúdio é uma zona de sombra, assim como em outra sombra em exterior e o raciocínio é idêntico.

Achei que seria um “defeito” interessante no fundo branco mas isso também atingiu os tons da pele … E corrigi com photogel Red1/4 no flash portátil (todos os meus alunos aprendem isso comigo pois é importantíssimo dominar o assunto).

Escolhi Red porque ao mesmo tempo corrige a pele e satura (naturalmente) o baton.

Toda a fotometria foi feita pela luz do sol que vinha da janela do teto medida pelo modo “ambiente” do fotômetro (Minolta VF).

Na frente o flash portátil como expliquei acima, numa diferença de +4ev pois queria as altas luzes exatamente como aparecem aqui.

E pronto!!! Acabou!!!

Uma janela no teto … Um flash portátil com photogel numa fração de potência muito baixa (1/64) … Um refletor prateado sob o pescoço … Uma camera quase sem pixel nenhum … Hahaha … Uma modelo maravilhosa … Uma make up artist fantástica …

Para os que devem estar pensando …
“-Ah, mas eu não tenho uma janela no teto!”

É possível criar esse efeito com 2 flashes onde o que ilumina o fundo estiver com photogel CTB 1/4 (blue) apontado na mesma direção do que vemos aqui vindo de cima.

Abreijos ai e boas luzes prá vcs!!!

Tamujunto!!! 🙂

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Fernando BagnolaFernando Bagnola, nascido em São Paulo, fotógrafo profissional desde 1984 atua nas áreas de moda e publicidade, vive em Portugal há 7 anos e desenvolve formações de Técnica Fotográfica e Edição no Photoshop através de workshops e cursos ao vivo por vídeo-conferência tendo alunos formados no Japão, Inglaterra, Brasil e Portugal.
portfolio: www.fernandobagnola.com                 workshops: http://workshop.fernandobagnola.com 

FOTOGRAFIA STROBIST DE MODA & BEAUTY

Bom dia, Amigos da EFO!!!

EFO 3

Modelo: Alexandra Collares | Make up/Hair: Omar Bergea | Styling: Vanessa Moraes  

Resolvi tirar do meu Baú de Segredos uma das construções de iluminação criadas por mim que mais gosto de executar à qual dou o nome de ILUMINAÇÃO COMBINADA, por 3 razões principais:

1)      Por ser, literalmente, uma combinação de técnica STROBIST (flashes portáteis) assumindo o controle do disparo das cabeças de flash de estúdio juntamente com o aproveitamento da luz (fill light) através de 2 placas de esferovite brancas como mostra o diagrama que preparei.

 2)      A outra razão é porque cria uma volumetria interessante dentro de um ambiente high-key, o que não acontece normalmente nesse tipo de iluminação que tende para o aspecto mais “flat” nos padrões dos relevos em função dos EVs entre luzes e sombras muito mais próximos.

3)       É um esquema de iluminação que poder ajudar a quem quer entrar no mercado da Moda Editorial e também muito bem encaixado naquilo que as grandes agências de modelo precisam (e gostam).

EFO 1

Embora eu seja adepto fervoroso do flashmeter, sei que aqui em Portugal há uma linha de pensamento que dispensa esse importante equipamento já que, segundo esta corrente, “isso é coisa do passado analógico onde não havia possibilidade de avaliação pelo LCD ou pela análise do histograma.”

Acho isso uma grande … hmmm … deixe-me pensar bem antes de dizer isso para não ferir quem pensa assim … hmmm … uma enorme … hmmm … já sei … falta de precisão!!!  (sai bem dessa!\o/).

Para os que utilizam, ou não, o flashmeter o esquema de raciocínio é:

 1)      Construir essa “jaula” de luz conforme descrito em pormenor no diagrama lembrando sempre de manter ângulos de 45 graus ou que sejam múltiplos (90 graus, por exemplo).

 2)      Começar a medição fotométrica sempre de traz para frente pois isso evita estouros nas altas luzes provenientes das luzes de trás que criam esse recorte dos dois lados da modelo. Vale lembrar que a utilização de sombrinhas brancas é fundamental para que a característica da luz seja diferente da que vai preencher as sombras que é mais suave na combinação (sombrinha translúcida com retorno de luz nas placas de esferovite/isopor).        

Vamos então ao diagrama??!

EFO 2

Faça o primeiro disparo de teste e ajuste o que for necessário para que as altas luzes de recorte tragam detalhe da pele (se houver “estouros” vá fechando o diafragma de 1/3 em 1/3 de fstop até enxergar algum detalhe) … vou chamar de Medição 1.

3)      A partir dai vamos começar a ligar os flashes portáteis que ao final serão os comandantes (“por simpatia” como se diz em Portugal que significa por “célula fotoelétrica” no Brasil). A configuração deve sempre ser feita em modo MANUAL pois o TTL, segundo o que defendo, é para “fotógrafos lagartixas” e o manual mostra quem é “fotógrafo crocodilo”, da seguinte forma:

Medição 1 – 1 fstop = Flash à esquerda com sombrinha branca, ou seja:

Exemplo: Para os que não o utilizam a melhor combinação na camera foi 1/125 com fstop 8, o flash frontal à esquerda com sombrinha branca deverá estar em uma potência fracionada que dê fstop 5.6.

Para os que usam flashmeter tudo fica muito mais simples e rápido pois é fazer a medição 1 até obter os detalhes das altas luzes conforme expliquei e feito isso medir a parte frontal do rosto até obter 5.6.

4)      A outra luz frontal central com sombrinha translúcida tem a função que é criar um levíssimo preenchimento das sombras do lado direito (da foto) e deve ter 1/8 da potência que ficar definida para o flash portátil à esquerda e ajuda muito no catch light (esse brilho no olho que dá vida ao olhar num retrato).

Exemplo: Por hipótese, se depois do passo 4, o flash com sombrinha  branca em modo manual estiver com ½ o outro flash deverá estar regulado para 1/16 (já com a sombrinha, atenção!!).

5)      Ajuste as placas frontais que devem estar perfeitamente paralelas ao fundo de maneira que consiga enquadrar no espaço entre elas sem enxergar as luzes de recorte pois isso garante que não haverá invasão de luz na objetiva causando uma perda significativa de contraste ou flare em casos extremos (invasão de luz diretamente na lente causando aquelas manchas na imagem).

 6)      Essa luz cria uma zona de segurança de 2 metros (diâmetro à volta de modelo) onde a fotometria mantém-se a mesma (explorem!) e por isso serve também para trabalhos de corpo inteiro, para planos mais fechados como retratos ou mesmo close-up como esse que juntei ao diagrama para vcs poderem comparar com a foto que abre este tutorial.

 Abreijos, Galera!!!!! É NÓIS!!!! 🙂

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Fernando BagnolaFernando Bagnola, nascido em São Paulo, fotógrafo profissional desde 1994 atua nas áreas de moda e publicidade, vive em Portugal há 7 anos e desenvolve formações de Técnica Fotográfica e Edição no Photoshop através de workshops e cursos ao vivo por vídeo-conferência tendo alunos formados no Japão, Inglaterra, Brasil e Portugal.
portfolio: www.fernandobagnola.com                    workshops: http://workshop.fernandobagnola.com